O fim da busca como conhecemos: Google leva as compras para dentro da conversa com IA
Se você ainda pensa “compras online” como busca → filtros → comparação → checkout, prepara a cabeça. O Google acabou de dar um passo grande para mudar essa jornada — e isso vai mexer com e-commerce, mídia, CRM e com a forma como marcas ganham (ou perdem) receita.
Na NRF 2026, Sundar Pichai apresentou um novo padrão aberto chamado Universal Commerce Protocol (UCP) para permitir que agentes de IA descubram, comparem e concluam compras de ponta a ponta, dentro da própria conversa.
O que foi anunciado na prática
A ideia é simples:
- o cliente descreve o que quer em linguagem natural (não “digita keywords”)
- a IA entende intenção, compara opções, consulta disponibilidade, preço, entrega e condições
- a compra pode ser finalizada dentro da interface de conversa (Search AI Mode / Gemini), sem “trocar de aba” o tempo todo.
O UCP funciona como uma “língua comum” entre os agentes e os sistemas dos varejistas, reduzindo o atrito de integrações ponto a ponto. E o Google já posicionou que isso vai alimentar um novo checkout em superfícies de IA, com Google Pay e dados salvos na Google Wallet (e expansão para PayPal). (blog.google)
Além do protocolo, o Google também colocou na mesa:
- Business Agent: um “vendedor digital” da marca, dentro do Search, respondendo dúvidas no tom da empresa (blog.google)
- Novos atributos no Merchant Center para melhorar descoberta em experiências conversacionais (blog.google)
- Direct Offers (piloto): ofertas e descontos inseridos no momento de maior intenção, dentro da IA (blog.google)
Fonte: Google Blog
Por que isso é um divisor de águas?
Porque muda o que decide a compra.
Quando a jornada vira conversa, a vantagem não é só “quem aparece primeiro”, mas:
- quem tem dados mais completos e confiáveis
- quem consegue reduzir atrito no meio do funil (comparação, dúvidas, confiança)
- quem consegue operar pós-compra e relacionamento como parte do sistema (e não “um e-mail depois”)
O próprio Google está tratando isso como uma troca de plataforma (web → mobile → IA).
E não é só teoria: o Walmart foi apresentado como caso de integração com um agente de compras dentro do Gemini, com experiências personalizadas.
O impacto real para e-commerce e marcas
Se você vende online (produto ou serviço), três coisas ficam claras:
- A nova vitrine não é só o feed ou a busca — é a conversa
- Conteúdo de produto vira infraestrutura (atributos, perguntas, compatibilidades, substitutos, garantias, política, entrega) (blog.google)
- Checkout e abandono de carrinho viram problema do “sistema”, não do criativo (menos etapas, mais intenção capturada) (blog.google)
Em paralelo, a mídia também muda. Se ofertas começam a aparecer “dentro da IA”, a disputa passa a ser: quem chega com proposta certa na hora certa, sem depender apenas do clique tradicional. (Financial Times)
O que eu faria agora (checklist de adaptação)
Se eu fosse responsável pela receita de um e-commerce hoje, eu colocaria essas 6 frentes em marcha:
- Arrumar o catálogo como se fosse um produto
- atributos completos, consistentes e orientados a intenção (não só SEO)
- Mapear as dúvidas que travam compra
- e transformar isso em dados de produto + conteúdo de resposta
- Tratar pagamento, entrega e política como parte da conversão
- transparência e previsibilidade viram “argumento de venda”
- Preparar o pós-compra para a era agentic
- status, trocas, suporte e reengajamento precisam estar plugados no mesmo sistema (blog.google)
- Revisar governança
- o que a IA pode fazer, o que não pode, e como auditar respostas/ofertas
- Juntar marketing + vendas + crm em “área de receita”
- porque a conversa vai atravessar tudo isso (e o time precisa operar como um só)
Minha leitura final
O UCP é mais do que “nova feature do Google”. É um recado: o varejo vai ser cada vez mais agent-led, e a briga vai sair da estética e ir para arquitetura: dados, jornada, fricção e relacionamento. (blog.google)
Se você quiser, eu transformo esse tema em uma palestra ou workshop para sua empresa com foco em:
- o que muda no funil
- como isso afeta mídia e conversão
- quais decisões tomar nos próximos 90 dias
fontes: Exame (11 jan 2026) e comunicados oficiais do Google (11 jan 2026). (Exame)