Agentic commerce: quando a compra vira uma conversa (e o varejo vira infraestrutura)
Na NRF 2026, o “agentic commerce” virou o centro do varejo: agentes de IA descobrem, recomendam e podem finalizar compras. Entenda o que muda e o que fazer agora.
A NRF 2026 deixou uma mensagem clara: a próxima grande “plataforma” do varejo não é um novo marketplace. É a conversa.
Quando Google e Walmart sobem no palco para falar de compras dentro do Gemini, não é só um anúncio de produto. É um recado estrutural: a descoberta e o checkout estão migrando para agentes de IA — e o varejo precisa se preparar para ser “consumido” por esses agentes.
Você já investe em tráfego, conteúdo, CRM, mídia. Mesmo assim, perde conversão em dois pontos clássicos:
- descoberta (o cliente não acha o que precisa, ou acha tarde demais)
- checkout (fricção, abandono, falta de confiança)
Agora entra um terceiro problema: quando a jornada acontece fora do seu site/app, você perde contexto, atribuição e poder de persuasão.
1) Padrão aberto para agentes comprarem em qualquer lugar
O Google anunciou o Universal Commerce Protocol (UCP), um padrão aberto para viabilizar compras conduzidas por agentes de IA entre diferentes plataformas e players (varejo, pagamentos, tecnologia). A ideia é reduzir fricção e padronizar “como um agente conversa com um e-commerce”.
2) Walmart dentro do Gemini
A parceria com o Walmart deixa isso tangível: produtos, recomendação e compra acontecendo dentro do assistente, sem o usuário “navegar como antes”.
3) A batalha real é confiança
Mesmo com a promessa de checkout invisível, a barreira é confiança. Pesquisas recentes mostram que uma parcela pequena ainda se sente confortável em deixar uma IA completar a compra. Isso força o mercado a projetar experiências com controle, transparência e reversibilidade.
O que isso significa na prática?
Agentic commerce não é “IA no e-commerce”. É outra coisa:
- Antes: o cliente navega → compara → decide → paga
- Agora: o cliente conversa → delega tarefas → valida → paga (com ou sem você aparecendo)
Isso cria um novo jogo:
- SEO vira GEO (otimização para motores generativos)
- Produto vira dado (feeds, atributos, disponibilidade, preço, prazos)
- Marca vira prova (confiança, reputação, garantia, política clara)
Qual plano você deve ter agora?
1) Vire infraestrutura para agentes
Se agentes vão comprar, você precisa ser legível para eles:
- Catálogo consistente (atributos, variações, imagens, especificações)
- Políticas claras (troca, entrega, garantia)
- Preço e estoque confiáveis
- Experiência pós-compra bem amarrada
2) Prepare seu “vendedor digital” para a conversa
O site não vai morrer. Mas o papel dele muda: ele vira um ambiente de validação.
O seu trabalho é transformar o funil em um sistema de relacionamento (CRM, recorrência, LTV). Essa é a vantagem que não depende de plataforma.
Pilares de Conteúdo Pessoal e …
3) Desenhe confiança como recurso de produto
A pergunta que vai dominar 2026 não é “como automatizar?”. É:
“Como construir confiança quando uma IA está mediando a compra?”
Isso envolve:
- Linguagem clara
- Prova social real
- Suporte humano fácil
- Rastreabilidade do pedido
- Opção do cliente dizer “não”
Se você fizer isso direito, você sai de “gestor apagando incêndio de performance” e vira arquiteto de crescimento previsível — com jornada clara, conversão melhor e menos dependência de mídia.
Se você quer levar esse tema para sua empresa (com plano e execução), tenho dois caminhos:
- palestra: tendências + decisões práticas para 2026
- diagnóstico: onde sua jornada vai quebrar quando o tráfego virar conversa